Voltar

OS MUITOS MILAGRES DA NOSSA EXISTÊNCIA

O germinar de cada semente e o nascimento de cada ser caracterizam acontecimentos formidáveis, estupendos, verdadeiros milagres.

Para que um grão de arroz pudesse chegar ao nosso prato, todos os antepassados dele tiveram necessariamente que ter a sorte sucessiva de remanescer como semente não estéril, e ter germinado, não obstante os milhões de riscos que certamente sofreu sua linhagem milenar.

Assim também com todos os animais, inclusive com o ser humano. Se qualquer das fecundações da nossa ascendência não tivesse se dado com aquele óvulo e espermatozoide, entre as “zilhões” de possibilidades de que não acontecesse, não teríamos nascido.

Desse modo, devemos ter a consciência de que cada grão de arroz no nosso prato significa a quebra de uma longa sequência milagrosa, a contrapor-se ao desperdício, para que a morte da semente convertida em alimento não seja em vão.

Se devemos ter essa consciência e cuidado com um grão de arroz, imagina com os seres humanos, em si mesmos milagres e destinatários maiores de milhões de sequências milagrosas, vegetais e animais, que dia-a-dia são encerradas ou perpetuadas para servi-los.

Pense e responda: – Que mérito pessoal temos nos milagres históricos que nos proporcionaram a vida? – Que mérito pessoal temos nas sequências milagrosas dos outros animais e vegetais, das quais dependeram nossos antepassados, dependemos nós e dependerão nossos descendentes? Nenhum.

Destarte, se o mérito pela incomensurável grandeza da existência não é individual, mas coletivo; se não é só do presente, mas especialmente do passado, dos quais depende o futuro; por que a centralidade nos direitos individuais, e não nos coletivos, em descompasso com a ordem natural?
 

   Outras Publicações de Carlos Roberto Scalassara